Um dos grandes problemas que envolve o debate em torno das questões ambientais reside no fato de que se as concebe de maneira unilateral, sem que se estabeleçam os vínculos com outras necessidades e determinações da vida em sociedade. Há, sob tal aspecto, um fundamentalismo ambientalista, que parte do pressuposto equívoco segundo o qual o homem pode viver, em algum grau, uma vida diretamente natural.
Ora, o homem é um ser da cultura e não existe fora dela. Deste modo, o sentido de sua relação com a natureza é necessariamente o da humanização do espaço e dos territórios. Evidentemente, a história recente das intervenções humanas tem ocorrido no sentido de levar a significativos desequilíbrios ambientais, mas, ainda assim, tal fato não autoriza a pensar que se possa corrigir essa situação retomando-se uma sociedade idílica e primeva, “natural”, e, em muitos sentidos, pré-industrial.
Como superar os dilemas colocados pela contemporaneidade, preservando-se no campo progressista e militando em favor de um uso racional dos recursos naturais? Essa é a questão que este blog se propõe a desenvolver.
A ampliação do debate, contudo, passa pela multiplicação de seus raios e vetores, de tal modo que se possa incluir os vários temas que compõe as políticas públicas, em especial aqueles que envolvem os direitos humanos, o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade, mobilidade e transporte, geração de emprego, etc.
Trata-se, pois, de qualificar o debate e preparar seus vários atores para pensar as grandes questões que enfrentam de um ponto de vista amplo, e, preferencialmente, fundamentaldo em uma abordagem racional.